SEJA MUITO BEM-VINDO PARA FILOSOFAR!

Este espaço é para os que buscam o saber.
Favorecer o acesso a artigos, resumos, textos para acadêmicos de filosofia para estudos e referencial filosófico, bem como algumas apresentações/seminários via (PPT) power point encontradas na parte final do Blog.

Seguidores

Visitantes

sábado, 30 de abril de 2011

FREGE E RUSSELL: SOBRE A TEORIA SEMÂNTICA

Bruno Fernandes de Oliveira
Acadêmico de Filosofia
Universidade Estadual do Centro-Oeste – UNICENTRO
FREGE: TEORIA DO SIGNIFICADO
O propósito desse texto é apresentar o que Friedrich Ludwing Gottlob Frege (1848-1925) entende sobre sentido (Sinn) e referência (Bedeutung) dos nomes próprios e das sentenças assertivas completas e a crítica que Bertrand Russell (1872 – 1970) faz ao sentido fregeano, ou seja, uma sentença não tem sentido como Frege propõe, ela simplesmente denota. A investigação que farei se dá através da obra Sobre o Sentido e a Referência – Über Sinn und Bedeutung - (1892), na qual, Frege propõe uma distinção entre os termos e Da DenotaçãoOn Denoting – (1905) na qual Russell trata que uma expressão só denota. Não é a minha intenção fazer uma abordagem minuciosa, e sim apresentar a distinção entre sentido e referência para Frege e como Russell resolve o paradoxo semântico fregeano. Essa discussão deu inicio ao um grande debate que prevalece em aberto, a saber, o Externalismo Semântico e o Internalismo. Pode-se dizer que essa discussão marca uma nova etapa da filosofia, ou seja, a filosofia analítica da linguagem surge com questões de extrema relevância. Antes de qualquer desenvolvimento é de extrema importância apresentar o que Frege quer dizer com: nome próprio, sinal, referência e sentido. Para nome próprio Frege entende aquilo que se refere a um objeto determinado e descrições definidas - que são combinações de palavras ou sinal -, para melhor compreensão apresentará alguns exemplos de nomes próprios na concepção fregeana como: ‘Ulisses’, ‘Aristóteles’, ‘A capital de São Paulo’, ‘Venus’, ‘O autor da obra Ética a Nicômaco’ e entre outros. Segundo Frege “(...) fica claro que, por ‘sinal’ e por ‘nome’, entendo qualquer designação que desempenhe o papel de um nome próprio, cuja referência seja um objeto determinado (...), mas não um conceito ou uma relação. 1. Todo nome próprio tem um sentido e tem que se referir apenas a um objeto.
Frege entende por ‘sinal’ qualquer coisa que se refira a nome, combinação de palavras ou letras.
Por ‘referência’, entende tudo que se refere a um objeto, ou seja, a referência é o objeto.
E por ‘Sentido’, como o modo de manifestação do objeto.
Após apresentarmos o que Frege pensa por nome próprio, sinal, referência e sentido, precisamos entender o que ele pretende elaborar para distinguir sentido de referência. No início do seu artigo Sobre o Sentido e a Referência ele apresenta uma análise da igualdade, a é o mesmo que b” ou “a e b coincidem”.2 A proposta fregeana é que a referência é a mesma, mas os sentidos são diferentes. Mas como entender essa tese inicial? Ele apresenta um exemplo de um triângulo. Sejam A’, B’, C’, as linhas que unem os vértices de um triângulo com o ponto médio de seus respectivos lados opostos. O ponto de interseção de A’ e B’ é G, e o ponto de interseção de B’ e C’ é G, portanto, o ponto de interseção de A’ e B’ é o mesmo que B’ e C’. Sendo assim, temos diferentes designações para o mesmo ponto. Portando, a sentença contém um genuíno conhecimento.3 Segue uma ilustração da proposta fregeana:
Esse exemplo ilustra como a referência pode ser a mesma, mas o sentido não. Fica claro com o exemplo da “estrela da manhã” e “estrela da tarde”, observamos que aqui a referência também é a mesma, mas o sentido muda. Para melhor esboçar essa problemática que Frege levanta em torno dos nomes próprios, partiremos da seguinte pergunta: a igualdade da referência pressupõe a igualdade do sentido? Se utilizarmos o exemplo da “estrela da manhã” e “estrela da tarde”, na qual sabemos que se referem ao planeta Vênus-, afirmaríamos que os nomes podem se referir ao mesmo objeto, já que, no inicio do texto apresentamos que todos os nomes próprios tem que ter um sentido e referir apenas a um objeto e que essa referência seja acerca de um objeto determinado. Nessa situação responderíamos a pergunta acima com um simples, não. Ou seja, a igualdade da referência não pressupõe a igualdade do sentido, isto é, “estrela da manhã” e “estrela da tarde” tem sentidos diferentes e referem ao mesmo objeto. Contudo, Frege diz que o sentido de uma expressão não garante a referência, ou seja, pode-se existir uma expressão com sentido e sem referência, dado que o sentido sempre se refere a um objeto. O exemplo que Frege apresenta para esboçar sua teoria é a partir das seguintes expressões “o corpo celeste mais distante da terra” e “a série que converge menos rapidamente”.4 A expressão tem um sentido, mas não conseguimos determinar a referência -, utilizando o próprio termo que Frege emprega em seu artigo, “é muito duvidoso que também tenha uma referência”.5 Logo, apreender um sentido não assegura a existência de sua referência.
Após, apresentar que apreender um sentido não assegura a existência de sua referência Frege investiga outro problema acerta da ‘ideia’, ou seja, se a ideia é objetiva ou subjetiva, isto é, o sentido pode ser compreendido por diversas pessoas? Frege analisa a questão e logo, afirma com muita clareza que não se deve confundir a ideia com o sentido e com a referência. Sendo assim, a ideia é uma imagem interna; e essa imagem é repleta de emoções. Sobretudo, a alerta feita por Frege é que existem diferenças entre os indivíduos e quando cada um desses indivíduos apreende uma representação, não se deve confundir com o sentido e com a referência, sendo assim a ideia é uma imagem interna do sujeito, portanto, isso faz dela ser de uma natureza subjetiva. Segundo Frege “um pintor, um cavaleiro e um zoólogo provavelmente associarão ideias muito diferentes ao nome Bucéfalo” 6, partindo desse exemplo que cada indivíduo associa a sua ideia com o Bucéfalo, Frege demonstra que a ideia é subjetiva e que cada homem possui a sua.
Em relação ao sentido, não é verdade, que ele é subjetivo, mas também não é o próprio objeto, de modo que, pessoas distintas podem apreender o mesmo sentido, mas a ideia que elas terão ainda será interno-subjetiva. Para melhor exemplificar esse problema Frege apresenta a metáfora do telescópio. Esse exemplo consiste na seguinte estrutura: com um telescópio observamos a lua, essa observação consiste na referência, é o próprio objeto, a imagem A que temos no telescópio consiste o sentido e a imagem B – imagem retiniana, consiste a ideia - nesse exemplo Frege está apresentando de forma didática a diferença entre referência, sentido e ideia – a imagem A é objetiva; é a imagem que se apresenta a todos os observadores, mas a imagem B é subjetiva, ou seja, cada observador terá a sua própria imagem, dado que, cada indivíduo tem sua própria configuração nos olhos, seja ela certa convergência retiniana. Dessa forma, percebe-se a diferença entre referência, sentido e ideia. Portando, a ideia é subjetiva e cada indivíduo possui a sua, sendo o oposto do sentido que é objetivo e da referência.
O que Frege entende por pensamento?
Pensamento para Frege não é subjetivo, ou seja, não é acerca de um conteúdo psicológico ou um processo psicológico, mas sim um conteúdo objetivo que pode ser compartilhado em comum por muitos indivíduos. Contudo, o pensamento deve ser considerado referência ou sentido? Para Frege o pensamento é o sentido e para isso ele apresenta um exemplo, na qual, sustenta que a referência não pode ser considerada como pensamento. Nesse caso, se substituirmos uma referência de uma sentença por outra referência de igual valor e que os sentidos são diferentes, a substituição não poderá ter nenhuma influência sobre a referência. Nesse sentido, apresentemos o exemplo que Frege utiliza para provar que o pensamento muda quando trocamos a referência por outra, por exemplo, o pensamento da sentença “A estrela da manhã é um corpo iluminado pelo sol” é diferente da sentença “A estrela da tarde é um corpo iluminado pelo sol”. Se alguém que não soubesse que “A estrela da manhã” é a mesma que “A estrela da tarde” poderia afirma que um pensamento é verdadeiro e o outro falso.7 Portanto, o pensamento é objetivo; não pode ser considerado como a referência da sentença e sim como o seu sentido.
Parece-me que Frege apresenta que uma função proposicional8 ao ser completada por um elemento qualquer poderá ser transformada em um pensamento, sendo assim podendo atribuir um sentido. O que quero dizer é que, por exemplo:
x é a capital do Paraná”
Se substituirmos a variável ‘x’ por Curitiba, temos a seguinte expressão:
Curitiba é a capital do Paraná”
A expressão apresenta um sentido. Entendo, que para Frege se a expressão permanecesse com a variável não estaria completa e com isso não poderíamos atribuir sentido a ela. Mas quando substituímos a variável por Curitiba à expressão apresenta um sentido, sendo assim, um pensamento.
Frege, investiga o porquê que sempre procuramos a referência em um pensamento, já que, quando expressamos um pensamento não tem uma referência. Ou seja, em uma sentença como:
O Jerry não caiu na armadilha do Tom”
Sabe-se que o sentido do sinal existe, mas é duvidoso que exista uma referência, isto é, os nomes próprios ‘Tom’ e ‘Jerry’ não se referem. Mas o pensamento não é suficiente e estamos preocupados com o valor da verdade, ou seja, estamos sempre procurando encontrar a referência. Frege ao deparar com esse problema apresenta que o valor de verdade deve ser levado como sendo sua referência. Logo, o valor de verdade de uma sentença deve ser verdadeiro ou falso; ou como chama Frege um de o verdadeiro e a outro de o falso.9
Frege alerta que somente o pensamento não confere nenhum conhecimento, mas quando é associado à sua referência, ou seja, ao seu valor de verdade acabamos produzindo conhecimento.10 Portanto, o pensamento e a referência dependem do outro para produzir conhecimento.
Qual era o objetivo de Frege ao separar sentido e referência para os nomes próprios e para as sentenças assertivas? 11
Frege ao separar as sentenças assertivas completas atribui que os nomes próprios funcionem como sujeitos da sentenças e esses nomes tem como função determinar o valor de verdade das sentenças, caso inverso acontece com o pensamento que carece de referência, ou seja, os nomes não precisam se referir, sendo somente a ele cabível de sentido. Portanto, se é um pensamento sem referência, então não é portador de um valor de verdade.
Após apresentar o que Frege entende por nomes próprios e por sentenças assertivas. Tentaremos compreender qual era o objetivo de Frege ao tratar da questão da igualdade, isto é, a diferença entre a = a e a = b.
Sabemos que no inicio de seu artigo Frege destaca que a = a e a = b tem valores cognitivos diferentes e que a = a é a priori, portanto não é detentora de conhecimento, contudo, isso não se dá com a = b que na realidade possui um certo conhecimento.
A hipótese que Frege apresenta no final do seu artigo é acerca de que 'a' e 'b' tiverem a mesma referência, não impede dos sentidos serem distintos ou diferentes, ou seja, para que tenhamos um valor cognitivo relevante a referência tem que ser acerca do mesmo objeto, mas com sentidos distintos.12
RUSSELL: TEORIA DAS DESCRIÇÕES
Para uma melhor compreensão do texto faz necessário uma noção fundamental da teoria das descrições russelianas. Essas noções são acerca da função proposicional e de quantificadores. Russell já no seu artigo destaca a importância da função proposicional como principio da teoria da denotação.
Em seu livro Introdução à Filosofia da Matemática Russell definiu que proposição é a forma de uma palavra, na qual, expressa ou o verdadeiro ou o falso.13 Já a função proposicional é a expressão que contém uma ou mais variáveis e quando atribuímos valores a tais variáveis a expressão se torna uma proposição. Desse modo, a expressão “x é humano” é uma função proposicional, na qual, ‘x’ é indeterminado e não atribuímos qualquer valor de o verdadeiro ou o falso. Mas quando substituímos a variável ‘x’ por uma palavra, ou seja, “João é humano” podemos atribuir que essa expressão pode ser verdadeira ou falsa.14 Sendo assim, a função proposicional não é nem verdadeira e nem falsa, ao passo que quando substituímos seus constituintes indeterminados por palavras ela torna-se proposição.
Já para quantificadores Russell trata que “são as mais primitivas das expressões denotativas”15, no caso as palavras tudo, nada e algo são quantificadores. Para melhor demonstrar trataremos da seguinte forma:
C(tudo) significa “C(x) é sempre verdadeira”;
C(nada) significa “C(x) é sempre falsa”;
C(algo) significa “C(x) é algumas vezes verdadeira”.
As expressões ficariam da seguinte forma se substituirmos o ‘x’:
Todo homem é humano significa que “x é homem” é sempre verdadeira;
Nenhum homem é humano significa que “x é homem” é sempre falsa;
Algum homem é humano significa que “x é homem” é algumas vezes verdadeira.
Agora trataremos sobre as expressões definidas, na qual, contém o artigo o (a). Tomemos como exemplo a descrição o pai de Carlos II. A proposição quer dizer que existe um único indivíduo que é o pai de Carlos II. É nesse sentido que Russell diz que o artigo o envolve unicidade, ou seja, quando expressamos o artigo definido estamos tratando somente de um indivíduo, caso inverso acontece com o artigo indefinido. Tomemos com exemplo: quando falamos que “o filho de fulano faleceu” e esse tal fulano tem mais de um filho, o correto seria afirma que “um filho de fulano faleceu”. Caso acontece com o exemplo de o pai de Carlos II, que o artigo o está envolvendo unicidade. É por esse motivo que afirmamos que x era o pai de Carlos II , sendo que ‘x’ tem uma certa relação com Carlos II e nada mais que isso.16
O que Russell está querendo tratar em sua teoria é demonstrar que sua proposta não vai cair no mesmo erro do Frege e do Meinong como o caso das descrições vazias, por conta disso ele apresenta uma solução que se segue: 
“x gerou Carlos II” e para obter um equivalente de “x era o pai de Carlos II” deve-se acrescentar “se y gerou Carlos II, y é idêntico a x”. Portanto, “x é o pai de Carlos II”, torna-se: “x gerou Carlos II; e ‘se y gerou Carlos II, y é idêntico a x’ é sempre verdadeira para y.”17
Para Russell a teoria de Meinong sobre os objetos não subsistirem e a teoria do Frege sobre algumas sentenças não denotarem, como no caso “o rei do Brasil” denota a classe vazia, o mesmo para expressões denotativas que possuem significados e denotação devem ser evitadas. E para provar que sua teoria é a única capaz de resolver o problema da denotação, Russell apresenta três enigmas:
  1. Se a é idêntico a b, o que quer que seja verdadeiro em um é verdadeiro no outro, e até mesmo pode-se substituir um pelo outro em qualquer proposição sem alteração da verdade ou falsidade dessa proposição.18
O primeiro enigma expressa a igualdade entre a e b, ou seja, é um problema acerca da substituibilidade. Nesse caso, se apresentarmos as seguintes sentenças:
  1. Dilma é a presidente do Brasil”;
  2. a atual presidente do Brasil”.
Via de regra, “Dilma” e “a atual presidente do Brasil” equivalem semanticamente, ou seja, contribuem para o significado da frase. O que estamos querendo dizer é que “Dilma” e “a atual presidente do Brasil” se referem ao mesmo objeto ou ela significam a mesma coisa.
Se considerarmos tal hipótese e substituirmos um pelo outro, não pode alterar o valor da proposição. De tal modo, se substituirmos “Dilma” na sentença “Dilma gosta de viajar” por “a atual presidente do Brasil”, ficaria:
  1. a atual presidente do Brasil gosta de viajar”
Percebemos que a substituição não alterou o valor de verdade da proposição. Mas se utilizarmos um exemplo diferente.
Imagine uma nova sentença:
  1. João deseja saber se Dilma é a atual presidente do Brasil”.
Vamos utilizar a mesma proposta feita acima e tal sentença resultaria em:
  1. João deseja saber se Dilma é Dilma”
Ou seja, utilizamos o mesmo princípio da identidade, mas percebemos que o valor de verdade foi alterado, já que, “João não deseja saber se Dilma é Dilma” e sim “se Dilma é a atual presidente do Brasil.”
  1. Pela lei de exclusão dos meios, ou “A é B” ou “A não é B” deve ser verdadeira. Portanto, ou “o atual rei da França é careca” ou “o atual rei da França não é careca” deve ser verdadeira.19
O segundo enigma pode ser caracterizado como o enigma do terceiro excluído e para melhor exemplificar isso imagine-se duas sentenças:
  1. Dilma é careca”;
  2. Dilma não é careca”.
Sabemos que a sentença 1 é falsa e a sentença 2 é verdadeira, já que, temos o conhecimento de que a Dilma não é careca. O que acontece em tal problema é que o termo singular “Dilma” não é careca, e é nesse sentido que a verdade de uma sentença implica a falsidade da outra, ou seja, a sentença 1 é falsa e a sentença 2 é verdadeira. Sendo assim, não há nenhuma hipótese de haver uma terceira opção. Mas se pensarmos em outra hipótese como:
  1. O atual rei do Brasil é calvo”;
  2. O atual rei do Brasil não é calvo".
Caso utilizarmos o exemplo anterior diríamos que a sentença 3 ou a 4 é verdadeira e que implica a falsidade da outra, sendo assim, não havendo possibilidade de uma terceira opção. Mas sabemos que o Brasil carece de um rei, contudo, ele não está entre as coisas carecas e não carecas, e isso contraria a teoria mencionada acima.
Esse enigma causa um dilema, ou seja, podemos dizer que as sentenças 3 e 4 carecem de significados, já que, o Brasil não possui um rei e logo, assumirmos que tais sentenças não possuem significados. Sobretudo, podemos afirmar que isso é absurdo, pois somos capazes de entender as sentenças e por isso elas são dotadas de significados. Devemos levar em conta que “o atual rei do Brasil” é uma descrição definida. Portanto, se as sentenças possuem significados, elas automaticamente devem possuir valor de verdade. Mas tal dilema poderia causar um grande problema e com isso teríamos que partir da seguinte indagação: como atribuímos verdadeiro e falso as coisas que não existem?
  1. Considere-se a proposição “A difere de B”. Se isto é verdade, existe uma diferença entre A e B, fato que se pode expressar sob a forma “a diferença entre A e B subsiste”. Mas se é falso que A difere de B, então não existe diferença alguma entre A e B; fato que se pode expressar sob a forma “a diferença entre A e B não subsistem”.20
O terceiro enigma é acerca das coisas negativas, ou seja, sobre a teoria do Meinong, na qual, ele propõe que as confusões acontecem porque não notamos a distinção entre ser e não ser (sosein). O que ele está tratando é que por mais que as coisas não existam no mundo real elas possuem propriedades, isto é, “o atual rei do Brasil” não existe, mas possui a propriedade de ser rei. O mesmo acontece com Papai Noel, Coelhinho da Páscoa e entre outros. Em resumo, Meinong está basicamente dizendo que todos os objetos tem propriedade, mesmo eles existindo ou não. E o que falta para ele existir é a propriedade de existir. Se levarmos em conta tal teoria poderíamos afirmar que o Brasil possui um atual rei. Mas não pretendo detalhar a teoria de Meinong.
Até o presente momento apresentamos partes da teoria que Russell desenvolve, a saber, o que é função proposicional, quantificadores, quais as teorias que Russell pretende criticar e apresentamos os enigmas que servirá de base para o desenvolvimento da Teoria das Descrições. Contudo, passemos a explicar o que é a Teoria das Descrições russellianas.
Russell ao desenvolver sua teoria das descrições divide as descrições como definidas e indefinidas. Sobretudo, as descrições definidas são aquelas que selecionam um objeto definido e caso inverso acontece com a segunda, ou seja, as descrições indefinidas não têm um objeto definido particular. Um exemplo típico de descrições definidas é “a Dilma é a atual presidente do Brasil” e também “o filho de fulano de tal”, esses exemplos demonstram que o artigo o(a) seleciona um objeto definido e particular. Já para as descrições indefinidas apresentamos os seguintes exemplos: “um presidente do Brasil” e “um filho de fulano de tal”, percebemos o artigo indefinido um pode selecionar diversos objetos. Russell tem uma maior preocupação com as descrições definidas e por conta dessa preocupação ele divide-as em ocorrências primárias e secundárias.
A diferença das ocorrências é acerca de que quando uma descrição definida implica a existência de um objeto e isso satisfaz a descrição, é considerada primária; quando não o implica é secundária.
Segundo Russell, quando usamos os termos singulares “George IV” e “Waverley”, e dizemos “George IV desejava saber se Scott era o autor de Waverley”, isso implica que queremos dizer que “George IV desejava saber se um e somente um homem escreveu Waverley, e George IV desejava saber se Scott era esse homem”.21 Temos assim, a última proposição é ocorrência primária e a primeira proposição uma ocorrência secundária.
A última proposição poderia ser expressa da seguinte maneira; “George IV desejava saber, com respeito ao homem que de fato escreveu Waverley, se ele era Scott”.22 Notamos que na ocorrência primária George IV deseja saber se um e somente um homem escreveu Waverley e esse homem era Scott, com isso percebemos que a existência do objeto satisfaz a descrição.
Vejamos a construção que Russell apresenta sobre o segundo enigma. Sabemos que o enigma trata das formas que podemos dar as proposições verdadeiras acerca das coisas que não existem. Contudo, se pensarmos “o atual rei da França é careca ou não é careca”, podemos dizer que essa frase não denota, já que, Russell apresenta no inicio do artigo Da Denotação que uma expressão pode ser denotativa e não denotar nada23. Mas para resolver o enigma ele apresenta que quando uma descrição é uma ocorrência primária, a proposição é falsa e quando a ocorrência é secundária a proposição pode ser verdadeira. Para entender esse problema apresentemos os seguintes exemplos.
Na ocorrência primária a sentença que segue é a seguinte:
Existe uma entidade que é agora rei da França e é careca”
A descrição “rei da França” é primária, já que, implica um único rei da França. Mas sabemos que a França carece de um rei e com isso podemos afirma que a sentença é falsa.
Agora para as descrições definidas que emprega uma negação temos que destacar dois casos: uma é verdadeira e a outra falsa. Nesse sentido, temos?
o atual rei da França não é careca”,
Essa proposição ficaria:
Existe uma entidade que é agora rei da França e não é careca”.
De fato essa proposição é falsa, mas é verdadeira se significada
é falso que existe uma entidade que é agora rei da França e não é careca”.24
Essa descrição é secundária, logo ela é verdadeira. O que percebemos é que na primeira, a negação aparece depois do quantificador e na segunda, a negação é anterior a negação, dando assim uma maior importância à negação e não ao quantificador.
Como vemos as ocorrências primárias e secundárias dá conta dos enigmas apresentado logo acima.
Percebemos que a teoria das descrições desenvolvida por Russell demonstrar que a teoria de Frege falha ao afirma que um nome próprio apresenta sentido e não denota nada. Com isso, ele esclarece a teoria da igualdade, ou seja, a = b de Frege é absurda e que deve ser evitada. Como vimos no texto, Russell demonstra que a = b não é possível. Portanto, sua teoria das descrições é capaz de resolver o paradoxo criando por Frege.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
FREGE G. “Sobre o Sentido e a Referência”. In. Lógica e Filosofia da Linguagem. 2.ed. São Paulo: Ed. Edusp, 2009
RUSSELL, Bertrand. “Da Denotação”. In: Ensaios Escolhidos. São Paulo: Abril Cultural, 1978. (Os Pensadores). p. 04.
_____. Introdução à Filosofia Matemática. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1981.

1 FREGE G. “Sobre o Sentido e a Referência”. In. Lógica e Filosofia da Linguagem. 2.ed. São Paulo: Ed. Edusp, 2009. p. 131.
2 Ibidem, p. 129.
3 Ibidem, p. 131.
4 Ibidem, p. 133.
5 Ibidem, p. 133.
6 Ibidem, p. 134.

7 Ibidem, p. 137.

8 Função proposicional é uma expressão designada por F(x), na qual essa variável pode ser substituída por um elemento A, 

sendo assim F (A) Verdadeira ou F(A) Falsa.

9 Ibidem, p. 139.

10 Ibidem, p. 140.
11 Na Conceitografia Frege destaca que seu objetivo é de construir uma linguagem logicamente perfeita e essa linguagem se dá somente com a linguagem artificial, ou seja, formal.
12 Vide nota do tradutor nº74.
13 Cf. Russell em sua obra Introdução à Filosofia da Matemática, p. 149.
14 Cf. Ibidem, p. 150.
15 RUSSELL, Bertrand. “Da Denotação”. In: Ensaios Escolhidos. São Paulo: Abril Cultural, 1978. (Os Pensadores). p. 04.
16 Cf. Russell em seu artigo “Da Denotação”, p. 05.
17 Idem.
18 RUSSELL, p. 08
19 Idem.
20 Idem.
21Cf. Russell, p. 11.
22 Ibidem.
23Cf. Russell, p. 01.
24Cf. Russell, p. 12.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

O Lógos em Heráclito

O Lógos em Heráclito

Carlos Eduardo da Silva Faria (ICV - UNICENTRO/PR
Orientador: Manuel Moreira da Silva (DEFIL - UNICENTRO/PR)

O presente trabalho tem por objetivo explicitar a noção heraclitiana do Lógos e a posição mesma de Heráclito como enunciador do Lógos. Do estudo dos aforismos de Heráclito emerge uma série de questões relativas à verdade e ao conhecimento; mais propriamente, à verdade e ao conhecimento do próprio Lógos. Do ponto de vista de Heráclito, a verdade consiste em captar, para além dos sentidos, a inteligência que governa todas as coisas; ao passo que o conhecimento implica na compreensão e na explicitação da racionalidade imanente a tal inteligência e ao governo que ela preside – no caso, o modo pelo qual, em última instância, todas coisas se referem à inteligência e se apresentam então ordenadas segundo a racionalidade ou a inteligibilidade que daquela emana. Por conseguinte, pode-se dizer que, para Heráclito, a questão que – pelo menos aqui – se apresenta como a mais importante, parece ser a de como é possível aos homens alcançar esse conhecimento e essa racionalidade. Tal é o que se pode verificar nos fragmentos tomados como válidos, nos quais predominam o gos e a relação com o seu próprio conhecimento, esse que, de um modo ou de outro, como que também se apresenta a Heráclito como a natureza fundamental do homem. Razão pela qual Heráclito ele mesmo fala “em ouvir o Lógos”, isto é, ouvir a natureza fundamental do homem. Essa a questão que então nos dispomos explicitar: Em que medida é possível ao homem ouvir o Lógos e em que medida em possível enunciá-lo?
De acordo com Heráclito, o gos está sempre presente e os homens que não se predispõem a ouvi-lo não o conhecerão como tampouco terão capacidade de falar e de pensar no verdadeiro sentido destas palavras; quer dizer, falar e pensar o Lógos. Isso porque o Lógos não é pura e simplesmente a palavra como tal e, justamente por isso, não pode ser reduzido (ou empobrecido) a uma questão meramente linguística ou mesmo a uma questão relativa à linguagem em sua significação comum ou apenas exteriormente ou aparentemente humana. No que diz respeito a esse ponto, há que se reconhecer que o Lógos está muito além do homem, enquanto ser pura e simplesmente mortal, portanto como ser exterior, aparente; caso em que o Lógos se apresenta ao fim e ao cabo como o Lógos divino ele mesmo e, assim, como a vida em toda a sua pujança – por conseguinte, identificando-se com a Physis em sua totalidade. Neste sentido, por um lado, deixar de se envolver diretamente no que está vivendo é como nada vivenciar em primeira mão, por outro, isso significa que o homem só se torna homem pela escuta; mas escutar, aqui, é mais do que apurar os ouvidos, é antes um treinamento ao bem-pensar – isso porque, no dizer de Heráclito, só é possível dizer coisas verdadeiras e agir conforme a natureza, escutando-a, razão pela qual aqueles que não a escutam, diz Heráclito, são “pessoas que não sabem ouvir, nem falar”. No entanto, saber ouvir ou falar o Lógos não é algo necessariamente estranho ao homem; pois, de acordo com Heráclito, no Lógos, o saber, o tomar ciência, mostra-se instantaneamente, sem intermediários. Basta estar desperto, estar na escuta, fato que só é possível durante a ocorrência da coisa, jamais depois.
Por isso, o Lógos apresenta-se fundamentalmente como a voz interior, como que uma espécie de consciência, que é justamente aquela voz que deve ser ouvida. Na medida em que pode ser conhecido, o Lógos também nos permite conhecer por exemplo a natureza do ser, apresentando-se assim como a alma que envolve e que liga os homens ao cosmos e à divindade; caso em que, assim como o Lógos, o cosmos também é ou está em cada um de nós. Isso quer dizer, para Heráclito, que se pode conhecer o mundo seja pelas coisas sensíveis que nele se mostram, seja através da captação daquilo que não se mostra; fato que introduz no tema do Lógos a significação de que ele, de acordo com Heráclito, devém ainda conflito e morte. O que se explica a função de que o Lógos, além de ser aquilo que se conhece, também se mostra como um feixe, situação em que os contrários se encontram e chegam ao equilíbrio; tratando-se aí, por conseguinte, da figura subjacente do Uno-todo. Vale dizer, para o filósofo: todo homem, enquanto parte do cosmo, participa do Lógos universal, mas existem diferenças entre o modo de pensar ou de conceber essa participação por parte dos indivíduos; alguns, os “adormecidos” limitam-se às percepções imediatas, vivem como num sonho e desenvolvem opiniões subjetivas; outros – os “despertos” – utilizam o Lógos de bom grado e conseguem penetrar profundamente na verdade da natureza. Ao fim e ao cabo, esses últimos mostram-se então capazes de aceder à ordem ou à harmonia do Todo, e isso justamente pelo fato de não reduzirem o Lógos a um ou outro de seus elementos constituintes, mas, em concebendo-o enquanto unidade de pensamento, palavra e ação, captam seu aspecto propriamente universal.
Enfim, pode-se dizer que compete ao Lógos, ou antes ao seu enunciador, dizer a verdade; isto é, ser portador da sabedoria e do envolvimento com aquilo que investiga e enuncia. Desse modo, o Lógos se constitui mediante dois tipos de referência possíveis; de um lado, ele se refere às coisas, e, de outro, aos homens, que então se mostram como seus ouvintes e, mais precisamente, como seus enunciadores – por conseguinte, o Lógos não é um Lógos retórico, mas sim, ao contrário, um Lógos propriamente filosófico.
Em Heráclito, portanto, o Lógos está sempre ligado ao cosmos ou ao pensamento. Ele age sobre a ordem cósmica e a governa, bem como determina a distinção entre o pensamento particular e o pensar comum a todos, o pensar com sensatez. Para que se determinem seus atributos deve-se compreender também que é apreensível e compreensível; quer dizer, entender o Lógos significa entender também sua relação com a inteligência dos homens. Os que não possuem inteligência são justamente os incapazes de compreender o Lógos. Todas estas sentenças anunciam uma relação interrompida entre o homem e o Lógos. Sendo assim, governando o Lógos todas as coisas, e sendo o homem capaz de reconhecê-las através da inteligência.

Palavras-chave: Enunciador; Lógos; Razão; Universal; Aforismos. 

Modelo de Resumo Expandido - Unicentro Guarapuava/PR

SOBRE A INTERPRETAÇÃO HEGELIANA DE HERÁCLITO
Carlos Eduardo da Silva Faria, e-mail: car_faria@hotmail.com.br
Graduando de Filosofia, Universidade Estadual do Centro-Oeste - UNICENTRO

Palavras-chave: Heráclito, Hegel, Dialética. Logos, Processo.

O presente trabalho consiste numa tentativa de verificação dos pressupostos da interpretação hegeliana de Heráclito, nos limites de uma determinação do sentido e do alcance da mesma. Para isso, buscar-se-á explicitar os pressupostos mais evidentes assumidos por Hegel nas Preleções sobre Heráclito, das Preleções sobre a História da Filosofia, como tais publicadas no volume Os Pré-Socráticos (Abril Cultural, 1978) da Coleção Os Pensadores, no caso, enquanto comentário aos Fragmentos de Heráclito. Mostrar-se-á, enfim, que, embora Hegel interprete Heráclito a partir de sua própria Filosofia, não há como não reconhecer a filiação de Hegel a Heráclito e, portanto, a consistência de sua retomada e desenvolvimento do Logos heraclítico. Assim, a partir da compreensão hegeliana de que o Absoluto só pode ser apreendido enquanto processo e da concepção heraclítica do Logos, discutir-se-á em que media a ideia do movimento ou do devir segundo Hegel se aplicam a Heráclito.
De acordo com Heráclito, no sentido da interpretação hegeliana, o Logos é não só a razão das coisas, mas o fogo que as ilumina e nos permite vê-las; por conseguinte, ele é não apenas o "sentido" do real, mas o pensamento ele mesmo e, mais ainda, a própria sabedoria. Isso porque, ainda segundo Heráclito, “ser sábio consiste em saber que o pensamento governa todas as coisas por meio de todas as coisas” (DK 40). Assim, em Heráclito, se podem constatar duas formas de pensar: uma, que apreende as coisas de imediato representando-as para si; e a outra, que compreende as coisas como desdobramento do que é comum, ou seja, do Logos. Nessa medida, conforme tal interpretação, pode-se dizer que Heráclito compreende a natureza enquanto processo, assim como o Absoluto enquanto devir e unidade ou unificação dos opostos. Essa razão pela qual, neste sentido, o Logos não pode se dar senão a partir da luta (pólemos) dos contrários, ou seja, apresentando-se pois como a unidade das diferenças; unidade essa que é o devir, o movimento, como salienta Heráclito: “o contrário é convergente e dos divergentes nasce a mais bela harmonia, e tudo segundo a discórdia.” (DK 8).
Hegel afirma que Heráclito é o primeiro filósofo a conceber a realidade como uma síntese de contrários e que reconhecer isto é assumir que só há conhecimento a partir da unidade dos opostos. Dessa forma, o Logos é visto como devir e a realidade como processo. Dessa maneira, a filosofia de Heráclito fixa-se no entendimento da realidade absoluta como processo mediado pelo Logos e sem pressupostos particulares (imediatos). O movimento é o princípio (arché) do Todo, dado pela oposição de um ao outro, ou seja, pela mediação dada a partir de uma negação determinada. E aqui encontra-se a singularidade de Heráclito: admitir o negativo determinado como propulsor do conhecer, da verdade. Para Heráclito, há um Logos que perpassa o cosmos e manifesta-se conscientemente no homem. O homem pode escolher entre duas vias, a saber, a imediata que se dá pelo entendimento particular do sensível e a mediata ou conforme o Logos. Se isto é assim, há que se reconhecer, então, que o Logos só pode ser apreendido quando se pensa conforme a unidade dos opostos ela mesma, que é o resultado da negação da oposição do ser e do não-ser; quando, ao fim e ao cabo, em Hegel, a referida unidade poderá também designar-se negação da negação ou negação determinada.
Todavia, as expensas de Hegel ou, antes, de sua interpretação, há também que se levar em conta que Heráclito defende a mudança constante de todas as coisas; sendo esta o processo infinito no qual ou mediante o qual tudo regressa ao seu início, isto é, o conflito dos opostos que – em consequência de tal conflito – se diluem na unidade originária. Diante desse reconhecimento, pode-se depreender que o Logos (então concebido nos limites da concepção heraclítica) se apresenta como o princípio cósmico (tomado como elemento primordial) e assim como, a própria razão de ser do real; agora, se desse modo o Logos se mostraria, também, como “a inteligência”, esse não é necessariamente o caso de Heráclito, seja por razões históricas, das quais o próprio Hegel é bastante cônscio, seja, por razões propriamente filosóficas. Não obstante, Hegel está correto em afirmar que, para Heráclito, a verdade se encontra no devir (enquanto unidade do ser e do não-ser), não no ser (pura e simplesmente) em sua oposição ao não-ser; aqui parecem encontrar-se os pressupostos de Hegel e de Heráclito, ainda que tais pressupostos se apresentem diversamente em cada um dos filósofos.
Isto significa que, enfim, tanto para Hegel como para Heráclito, o pensamento humano participa e é parte do pensamento universal, com este se identificando em certa medida. Em vista disso, caso aprenda a ver as coisas segundo sua verdade, isto é, em seu próprio devir, os homens podem perceber como os contrários estão em eterno conflito, numa constante mudança de um estado para outro; assim como, ao fim e ao cabo, ambos os opostos terminam por se tornar uma e a mesma coisa. Como síntese, união desses conceitos opostos (e intimamente relacionados), surge o devir, nas palavras de Hegel: “O nada, como este imediato, é similar a si mesmo, e inversamente o mesmo que o ser. A verdade do ser tal como a do nada, portanto, é a unidade de ambos; esta unidade é o devir.” (HEGEL, 1995). Se isto é realmente assim, pode-se dizer, então, que mesmo em interpretando Heráclito segundo sua própria Filosofia, Hegel permanece fiel aos pressupostos da de Heráclito na medida em que os retoma e desenvolve nos quadros de sua Lógica especulativa, mais especificamente, nos quadros da determinação do ser chamada ‘devir’.

Referências bibliográficas

COSTA. A. Heráclito: fragmentos contextualizados. Tradução e comentários por Alexandre Costa. Rio de Janeiro: DIFEL, 2002.

DAMIÃO, B. O Logos heraclítico: introdução ao estudo dos fragmentos. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1969.

HEGEL, F. [Preleções sobre a História da Filosofia. Heráclito – Crítica Moderna]. In: Os Pré-Socráticos. Fragmentos, Doxografia e Comentários. São Paulo, Abril Cultural, 1978.

_______. Enciclopédia das Ciências Filosóficas em Compêndio (1830). Trad. Paulo Meneses e José Machado. São Paulo: Loyola, 1995.

HERÁCLITO DE ÉFESO. Fragmentos. In: Os Pré-Socráticos. Fragmentos, Doxografia e Comentários. São Paulo, Abril Cultural, 1973